Estamos diante de um livro imantado. Um livro-que-brinda. Um livro construído com a inteligência amorosa inscrita na admirável natureza discursiva ao mesmo tempo clássica atemporal da homenagem. Um livro a elaborar-se em torno do valor afirmativo de atos. De atos fortes e raros a desenharem formas, ethos, obra, trabalho, história, e a poderem, em estado de grande alegria, dirigir-se ao potente nome próprio que os gesta: Marlene Soares dos Santos.
Abordam-se no livro, com elevada acuidade crítica, múltiplos e sofisticados modos de compreender e de atualizar, no âmbito da linguagem, valores e sentidos da performance como categoria lingüística, literária, estética, existencial e política, todos diretamente ligados àquela cujo impulso criador os ensaios aqui reunidos acolhem e expandem. O campo de investigação escolhido pelos organizadores não poderia ser mais exato, em virtude de abranger parte significativa da extensa área de pesquisa em que A Mestra – pois se trata da arte da mestria, suas performances generosas, abertas e vitais, daí a justiça do elogio de – tem sido pioneira e, como sempre, disseminadora. A Mestra e Mestres no livro outra vez encontram-se; juntos, alargam-se, continuam a abrir clareiras, a avocar, a irradiar estímulos, a mover pelo entusiasmo. A obra de Mestres para A Mestra desdobra-se em Mestres-a-virem. Reafirma a plasticidade, a riqueza e a altivez do agir conjunto. Nela, renovadas percepções, sólidos sentimentos, ampla capacidade para o pensar saudável, o intuir e o procurar. E para, em face da vontade e do desejo nobres, dizer sim.
Que se manifestem – este belo e admirável livro por toda a parte convida, dentro e fora do sítio acadêmico – mais e mais traços firmes do senso ativo do reconhecer, do expandir, do ser grato. Pois, assim, os estudos das escritas, em especial das que dignificam a literatura, unem-se ao glorioso aprimoramento da vida do espírito.
Roberto Corrêa dos Santos
Apresentação
Luiz Paulo da Moita Lopes
Fabio Akcelrud Durão
Roberto Ferreira da Rocha
Soneto 46
William Shakespeare
[Tradução: Barbara Heliodora]
“A performance correta”:
circulação e apropriação da herança clássica no
teatro elisabetano
Roberto Ferreira da Rocha
“Assim, em uma pessoa vivo muitas outras”:
performance e identidade nas peças históricas de Shakespeare
Janet Clare
Atravessando esse grande palco de loucos:
desrazão, cultura popular e formação de identidades em O rei Lear
Aimara da Cunha Resende
“Se eu fosse mulher...”:
performances de gênero e sexualidade em Como gostais
Luiz Paulo da Moita Lopes
Branca Falabella Fabrício
Orestes: identidade mítica em transformação
Munira h. Mutran
De agitprop a cabaré: as performances políticas de Guillermo Verdecchia
Sonia Torres
No espelho do palco
Vilma Arêas
Impossibilidades e possibilidades:
análise da performance dramática
José Roberto O'Shea
Emily Dickinson:
a realização de uma performance
identitária pela ironização da sociedade
Carlos Daghlian
Eu me traduzo em outras:
Julia Álvarez e a performatividade das identidades diaspóricas
Leila Assumpção Harris
A criação do mundo segundo Thomas King: uma performance visionário-literária
Eloína Prati dos Santos
Da crítica como performance na indeterminação:
ensaio de John Cage
Fabio Akcelrud Durão
|
|||||||||||||||||||||||||