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  capa dura

capa brochura

AINDA QUE DO livro a forma, sem se alterar em vários de seus princípios, traga consigo a nascença de mundos vários, indeterminados por comprovação de cada leitura, não são muitas as vezes em que a progressão de sua linearidade, indistinta sob o avançar numérico das páginas, suspende-se na lida de um tempo avesso à cronologia. A despeito do modo como um livro se define, é no ritmo de murmúrios, recuos e respirações que a voz de quem o lê se ergue.
A inconstância da linha de Manfredo de Souzanetto, cujo desenho recorta planos vários em sua ausência cromática de superfície, reverbera a ocultação da voz pela qual se narram os segmentos de Júlio Castañon Guimarães. A quem pertencem, de que corpo elas são parte? Entre as 31 pinturas e os 27 segmentos reunidos, imiscuem-se não traços de umas nas frases dos outros, mas sim a surpresa decorrente de prosseguir na apreensão efêmera de que já se partiu sem que se tenha saído lugar.
De uma parte, o traçado que, em vez de separar ou delimitar, integra campos de cor, num modo de proceder que, obviamente pictórico, nasce de intenções escultóricas, uma vez que privilegia volumes e relevos. Da outra, passagens nas quais, mais que o estabelecimento de frações, se nota a sucessão (série e mudança) de escansões que recriam os modos de inter-relacionar fragmentos que atravessam cada conjunto de versos.
Tem-se aqui portanto, uma paisagem conjunta que se esboça seja pelo desacerto do horizonte, seja pela incerteza do sentido, para os quais se deve atentar com o auxílio do que se vê na fotografia do poeta feita por Jaime Acioli: divisão (tanto limite quanto dissonância) , contraste, sombra e o contentamento surgido da aceitação de que, não raro, o diálogo se estabelece na confusão dos propósitos.
[edição especial]    
DO QUE AINDA | segmentos
  Júlio Castañon Guimarães, Jaime Acioli fotografias, Manfredo de Souzanetto pinturas  
84 p. | il.color. | 20 x 20 cm | 978-85-7740-061-4 | 2009 | R$ 42,00