Este livro resulta de pesquisas em arquivos no Brasil e em Portugal, em que a autora se debruçou sobre manuscritos musicais, libretos e documentos diversos que revelam aspectos importantes da história da música e do teatro nesses dois países. Seu foco de atenção são as mágicas, gênero dramático-musical do teatro “ligeiro” que alcançou grande sucesso nos teatros do Rio de Janeiro e de Lisboa durante o século XIX e o início do século xx, mas que tem sido praticamente omitido pela literatura especializada. Autores teatrais e músicos experientes, muitos dos quais com trânsito seguro em gêneros “eruditos’ produziram libretos e partituras para mágicas, resultando em espetáculos cujos ingredientes principais eram o maravilhoso e o fantástico. À luz da trajetória das mágicas, Vanda Bellard Freire mostra que se deve rever a história da música e também do teatro ao longo do período aqui abordado. Tendo como base fontes primárias, muitas delas inéditas, sua contribuição ajuda a iluminar informações praticamente esquecidas da história tanto brasileira quanto portuguesa, desde já compartilhadas com o universo acadêmico e o público em geral.
“As mágicas, ao longo de sua trajetória de frequentes sucessos de público nos teatros portugueses e brasileiros, sempre enfatizaram a fantasia; sempre aliaram à presença de personagens e aspectos fantásticos características como o lirismo, a sátira e o humor. Os espetáculos se constituíam de quadros e cenas mais ou menos independentes, com diferentes características musicais e texto sempre em português, constituindo-se, de certa forma, numa contraposição à ópera italiana, cuja presença no século XIX também foi muito intensa, mas enfatizou outros aspectos estéticos e ideológicos. Os quadros e as cenas das mágicas, ligados por tênue fio condutor, sucedem-se ao longo de um enredo não necessariamente linear.”
Sumário
Apresentação
Introdução
A trajetória das mágicas: continuidades e descontinuidades convergências e contradições
Presença das mágicas nos teatros cariocas e lisboetas
Quem criava e produzia as mágicas
Abrindo as cortinas: personagens e cenas de mágicas
Características dramáticas e musicais das mágicas
Presença das mágicas nas sociedades carioca e lisboeta
Considerações finais, ainda que provisórias
Referências bibliográficas
Anexos
Agradecimentos
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