voltar        
A presença indígena no Nordeste  

Reunindo instigantes análises sobre peregrinações contemporâneas, Carlos Steil e Sandra de Sá Carneiro organizaram um rico painel sobre a configuração atual do campo religioso brasileiro.
Como o leitor poderá apreciar nos diferentes artigos desta coletânea, os fenômenos observados em terras brasileiras fazem parte de um movimento de revitalização das peregrinações cristãs de escopo internacional, cuja referência mais (re)conhecida é o Caminho de Santiago de Compostela na Espanha. Nestas peregrinações se combinam elementos de religiões tradicionais com novas expressões religiosas já classificadas na literatura especializada como religiões do self ou espiritualidades Nova Era, onde certamente está reservando um lugar de destaque para a ecologia, para os valores ambientais e para o contato direto com a natureza.
Por outro lado, em sua territorialidade, os caminhos nacionais aqui estudados também revelam – nos corpos e nas paisagens – as marcas da história e da cultura brasileira. Utopias da nossa terra “sem males”, reduções jesuíticas, guerras guaraníticas, migração italiana no sul do país, Nossa Senhora da Aparecida e Padre Donizette – entre outros – estão presentes na memória, nos mitos, nas narrativas constitutivas da nação e de sua religiosidade.
O enfoque etnográfico e a abordagem comparativa, predominantes neste livro, permitiram captar o jogo vivo entre repertórios culturais globais e locais que se movimentam tanto entre espaços geográficos quanto nas páginas da Internet. Por tudo isto, tornam-se campos propícios para formular novas perguntas que ultrapassem as clássicas dicotomias presentes nas teorias sobre as relações entre religião e sociedade, entre o sagrado e o profano, entre religião e mercado e, também, sobre a tão discutida distinção entre objetos e sujeitos de investigação.
Se é verdade que transformações significativas ocorrem no âmbito das peregrinações quando elas se fazem por meio de múltiplos mediadores – religiosos ou seculares –, quando incorporam o turismo, o lazer, o consumo e o marketing como o ambiente e condição para a experiência do sagrado, para além de apreender sincretismos, hibridismos e fronteiras porosas, talvez seja preciso ir mais fundo na busca de aportes teóricos para compreender o significado da dimensão religiosa na vida social do século XXI. Neste sentido, este livro chega em boa hora.

Regina Novaes

 

Caminhos de Santiago no Brasil
  Carlos Alberto Steil e Sandra de Sá Carneiro [orgs.]  
14 x 21 cm | 240 p. | 978-85-7740-094-2 | 2011
  R$ 32,00