Coelho Netto. Um antigo modernistaCoelho Netto. Um antigo modernista

Leonardo Affonso de Miranda Pereira

336 p. | 2016 | 16 x 23 cm | 1ª edição | 978-85-7740-197-0

R$ 57,00


Coelho Netto é, na história da literatura brasileira, um romancista de trajetória singular. Participante ativo da
campanha abolicionista e republicana na juventude, transformou-se a partir dos primeiros anos do século XX em um dos principais escritores brasileiros de sua geração. Com uma produção de mais de 120 volumes, em sua maior parte composta por romances, contos e crônicas, atuou ativamente na imprensa carioca das primeiras décadas da República, e foi dos primeiros autores brasileiros que tentou (nem sempre com sucesso) viver exclusivamente das letras. Como resultado desta produção, tornou-se um dos mais lidos e prestigiados literatos de seu tempo – o que lhe valeu em 1928 o título de “príncipe dos prosadores brasileiros”, em concurso promovido pela revista O Malho.
Àquela altura, no entanto, sua obra se tornava o alvo privilegiado da crítica de jovens escritores modernistas que, ao despontarem no cenário literário nacional, passaram a tomar sua produção como exemplo maior do tipo de literatura que combatiam. Críticos da forma pomposa e rebuscada de muitos de seus escritos, definiam Coelho Netto como um autor passadista e estéril, cuja produção não seria capaz de enfrentar os grandes dilemas da nacionalidade. Como resultado seu nome, associado a um formalismo e cosmopolitismo que seriam as antíteses do tipo de literatura que defendiam, se tornou o símbolo de tudo o que combatiam esses novos autores. Por meio dele, criava-se uma barreira a separar a obra desses escritores modernistas daquela produzida nas décadas anteriores pelos literatos que os antecederam.
É como uma proposta de dissolver esta barreira, de modo a demonstrar os laços de continuidade que ligavam a obra de Coelho Netto a muitas das proposições de seus críticos, que se apresenta este livro. Através do acompanhamento da trajetória e da produção do romancista, ele evidencia como as perspectivas estéticas do escritor se transformaram continuamente no diálogo com um mundo das ruas habitado por homens e mulheres negros e mestiços, cujas práticas, tradições e interesses passou progressivamente a incorporar em sua prosa. Ao caracterizá-lo como um “antigo modernista”, na definição de Francisco Foot-Hardman, busca-se compreender a lógica específica pela qual este esforço de diálogo se estabeleceu em sua obra – em perspectiva que, longe de apagar a distância que o separa de muitos dos autores identificados com o modernismo, aponta para o sentido específico desse movimento de aproximação com as práticas e experiências dos trabalhadores que caracteriza a obra de Coelho Netto.

Sobre o autor:
Leonardo Affonso de Miranda Pereira é professor do Departamento de História da PUC-Rio e doutor em História Social pela Unicamp. É autor de O carnaval das letras: literatura e folia no Rio de Janeiro (Ed. da Unicamp, 2004); Footballmania. Uma história social do futebol no Rio de Janeiro (1902-1938) (Nova Fronteira, 2000); e As Barricadas da saúde. Vacina e protesto popular no Rio de Janeiro da Primeira República (Fundação Perseu Abramo, 2002).