A paisagem no cinema de Wim WendersJoão do Rio a caminho da Atlântida. Por uma aproximação luso-brasileira
Cristiane d’Avila
240 p. | 2015 | 16 x 23 cm | 1ª edição | 978-85-7740-175-8

R$49,00


O livro João do Rio a caminho da Atlântida: por uma aproximação luso-brasileirateve como ponto de partida, em primeira instância, o resgate em fontes primárias (a imprensa) de parte da produção de João do Rio, que, em crônicas jornalísticas, tratava das relações entre o Brasil e Portugal, com destaque para o material reunido no volume Portugal d’agora (1911), resultado da viagem que fez àquele país logo após a implantação da República, em 1910.
Se a tese, e agora o livro, se restringisse a essa meta, já seria um feito significativo, uma vez que seria, salvo engano, o primeiro trabalho que enfatiza essas tensões da década de 1910, que viu recrudescer, no Brasil, um forte nacionalismo que pregava a nacionalização por completo dos mais diversos segmentos, a exemplo da imprensa, do comércio, da pesca, dominados em grande parte por imigrantes lusos e seus descendentes.
A investigação das fontes primárias na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e no Real Gabinete Português de Leitura revelaram um material insuspeitado, ainda quase virgem de reflexão, que dimensionou o estudo em processo. E foram se destacando as relações de João do Rio, não só com a colônia portuguesa no Rio, mas também com intelectuais, escritores e editores de Portugal. Ganha relevo então o estudo das viagens do escritor brasileiro à Europa e mais especificamente a Portugal, como também a relevância da revista Atlântida, que mereceu acurado estudo, ao mesmo tempo em que cresce a figura de João de Barros. Seguindo uma investigação quase detetivesca, Cristiane “descobre” que havia, no acervo do escritor luso depositado na Biblioteca Nacional de Lisboa, cartas que João do Rio enviara ao amigo português.



SUMÁRIO


PREFÁCIO — 9

APRESENTAÇÃO — 17


CAPÍTULO I — 21

Rio, um centro atrativo para os imigrantes — 26

Grupos em dissonância na jovem República: a ascensão dos jacobinos — 31

Os “radicais da República” se voltam contra os portugueses — 37

Entre a “questão nacional’ e a modernização do Brasil, como ser brasileiro? — 48


CAPÍTULO II — 57

Portugal d’agora, símbolo do “intercâmbio de espírito” iniciado por João do Rio — 57

A quebra de paradigmas e de fronteiras pela aproximação luso-brasileira — 63

A “Comissão” e o “Acordo” luso-brasileiros sob o olhar crítico do jornalista — 70

Uma história datada: surge a “cronologia do luso-brasilismo” — 78

A emigração portuguesa para o Brasil e o debate sobre as relações luso-brasileiras — 82

A “capacidade colonizadora” do português e o mito do retorno triunfal — 88

Entre a “sangria salvadora e a sangria mortal”, cresce o antilusitanismo no Rio — 95

A perseguição política: têm início os ataques a João do Rio — 104


CAPÍTULO III — 109

Luso-brasilidade e exaltação de sentimentos nacionais portugueses — 117

O inquérito da discórdia, a Confederação Luso-brasileira — 123

A reação das folhas antilusitanas e o temor da “desnacionalização” do Brasil — 132

Ainda a Confederação: os interesses em jogo — 139

A construção da memória histórica baseada na “comunhão”: as intervenções de Malheiro Dias e João de Barros — 146


CAPÍTULO IV — 159

O saneamento da costa brasileira, uma cruzada de civismo da Marinha — 162

Disputa econômica transformada em causa nacionalista — 170

A partida dos poveiros que recusam a naturalização forçada: A Pátria e a agressão a João do Rio — 175

A perseguição de Antônio Torres — 186


CAPÍTULO V — 193

Eventos para celebrar o “mundo que o português criou” — 195

João do Rio a caminho da Atlântida: percurso iniciado em 1908 — 199

Memória x esquecimento: a reabilitação do nome de João do Rio — 202

João do Rio: contra a pregação antilusitana, o patriotismo — 212

A homenagem do amigo João de Barros em Lisboa — 215


REFERÊNCIAS — 219

ANEXO 1 — 229
ANEXO 2 — 231
ANEXO 3 — 233
ANEXO 4 — 235