O inventário como táticaO inventário como tática: a fotografia e a poética das coleções
Leandro Pimentel
272 p. | il. | 2014 | 15,5 x 23 cm | 1ª edição | 978-85-7740-168-0


R$55,00

Leandro Pimentel costumava ser fotógrafo. Ainda é. Mas, depois deste O inventário como tática, será também conhecido como pensador arguto e original da fotografia contemporânea. Arguto porque soube identificar, na infinidade de imagens que hoje se produzem, um gesto decisivo que marca as obras fotográficas mais instigantes da atualidade. Original porque encontrou aí, nos inventários mais reiterativos, um signo de liberdade, um desafio à mercadoria, a proposição de um saber comum e a radicalidade de uma ação política.
Fotografar foi desde sempre colecionar fragmentos de mundos. Turistas colecionavam viagens, famílias colecionavam momentos, fãs colecionavam celebridades, jornais colecionavam acontecimentos. Muito cedo, as fotografias encontraram maneiras de viver juntas em álbuns, caixas de sapatos e arquivos. Mas a fotografia (ou cada fotógrafo, tanto faz) não resistiu à tentação da obra-prima.
Desde fins do século XIX e por boa parte do XX, testemunhamos o desmonte sistemático dos arquivos, das coleções e dos inventários. Tudo isso em nome da singularidade dos autores e do (devido) valor de suas imagens. Mas, a despeito do silenciamento da poética das séries fotográficas, apesar da vertigem do múltiplo e do pânico da banalidade, elas nunca foram completamente banidas da fotografia. Seguiram perturbando, desde o fundo de cada câmera escura, a paz luminosa das obras-primas.
Hannah Arendt acreditava que cabia a cada geração – no seu agir e no seu pensar – preencher a lacuna entre o passado e o futuro, e assim conquistar o seu presente. Essa tarefa, claro, nunca foi apenas do pensamento e da política, mas cabia igualmente à arte. Para nós, que vivemos depois dos modernismos, a missão parece demasiado árdua. Leandro Pimentel viu nas caixas-d’água do casal Becher esse gesto – aqui chamado de “tática” – que busca conquistar o presente por meio de um curto-circuito em que cada imagem cintila entre o passado e o futuro, livre da responsabilidade de ser a primeira ou a última.

Mauricio Lissovsky


LEANDRO PIMENTEL
Pós-doutorando pela Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutor pela mesma instituição, com um período de estágio no grupo de pesquisa Arts des images & Art Contemporain (AIAC), na Universidade Paris 8. Possui especialização em História da Arte e da Arquitetura no Brasil pela PUC–Rio e em Fotografia como Instrumento de Pesquisa em Ciências Sociais pela Universidade Cândido Mendes (Ucam).




SUMÁRIO

Prefácio

Introdução


Inventário e invenção

Imagem e criação
A fotografia moderna na Alemanha
A ascensão de um ponto de vista
Os Becher e o minimalismo
Inventários sem fim
Origem em Benjamin

O arquivo, o vestígio e a montagem
As máquinas de leitura das assinaturas
E stratégias e táticas nos usos dos arquivos
A tática do inventário
A montagem, a moldura e a margem
Os buracos e os arquivos contemporâneos

O exibicionismo da coleção
A coleção e o inconsciente visual
A escultura anônima no campo ampliado
Do museu à coleção
A mesa e a câmera-realidade
Entre a alegoria e a coleção


Considerações finais

Referências