Antropologia das práticas de poderAntropologia das práticas de poder
Reflexões etnográficas entre burocratas, elites e corporações
Sergio Ricardo Rodrigues Castilho | Antonio Carlos de Souza Lima | Carla Costa Teixeira [org.]
256 p. | 2014 | 15,5 x 23 cm | 1ª edição | 978-85-7740-166-6


R$49,00

Antropologia das práticas de poder: reflexões etnográficas entre burocratas, elites e corporações volta o foco para a mudança do fazer etnográfico que responde aos imperativos de um mundo em transformação. Mudança que anuncia a importância de associar observação participante à análise acurada de documentação que revela práticas de poder, obrigando os antropólogos – hoje muito mais jovens do que ontem, dada a expansão da pós-graduação no Brasil – a lidar com “mentiras e verdades” que aviltam os sujeitos de direito, estejam eles de um lado ou de outro da interlocução, indicando a necessidade de “descrever sem prescrições” que comprometam o trabalho; tarefa que exige habilidades diversas, daquele que antes observava e participava, mas não se debruçava sobre documentos e práticas perscrutando, como historiador, as nuances e os entraves do poder para evitar o “mal-estar contemporâneo”. Trabalhar entre burocratas, elites e corporações que jamais facilitam o acesso à informação, nem aos cidadãos e menos ainda aos estudiosos, é um desafio que os clássicos não alcançam, mas que se precisa enfrentar. A coletânea é expressão da Antropologia feita no Brasil, com responsabilidade e reflexão, enfrentando as estruturas de poder que cerceiam os direitos e limitam a liberdade científica pela sonegação de informações. Há indicativos de que se formam antropólogos que discutem as “colonialidades” produzindo uma Antropologia que desvenda o Brasil sem se deixar seduzir pelas antropologias metropolitanas, e que se permitem atuar em espaços diversos com qualidade, respeitando os cânones da ética. Para além da produção, reflete-se sobre os desafios de fazer Antropologia no Brasil sem descurar do diálogo com o que se faz pelo mundo.

Jane Felipe Beltrão
UFPA/CNPq




SUMÁRIO



Introdução

Etnografando burocratas, elites, e corporações:
a pesquisa entre estratos sociais hierarquicamente
superiores em sociedades contemporâneas
Sergio Ricardo Rodrigues Castilho
Antonio Carlos de Souza Lima
Carla Costa Teixeira


Pesquisando instâncias estatais:
reflexões sobre o segredo e a mentira
Carla Costa Teixeira

Etnografando documentos:
uma antropóloga em meio a processos judiciais
Adriana Vianna

(In)credulidades compartidas: expedientes
para observar administraciones estatales
Maria Gabriela Lugones

“Nós”, os “outros” e os “outros dos outros”:
dilemas e conflitos no mapeamento
de sujeitos, redes e instituições
Ana Lucia Enne

Pesquisando em contextos de violência e de luta política:
sofrimento, adesão e solidariedade
Paula Lacerda

Produzindo o campo, produzindo para o campo:
um comentário a respeito de relações estabelecidas entre
“movimento social”, “gestão governamental” e “academia”
Silvia Aguião

O etnógrafo, o burocrata e o “desaparecimento de
pessoas” no Brasil: notas sobre pesquisar e participar
da formulação de uma causa
Letícia Carvalho de Mesquita Ferreira

Moedas de troca, sinceridade metodológica e
produção etnográfica no trabalho com elites
Maria Macedo Barroso

Sobre etnografar em condições de poder e assimetria:
uma experiência sobre o campo da cooperação para o
desenvolvimento a partir da GTZ
Renata Curcio Valente

Etnografando elites no Brasil: dilemas éticos e
metodológicos de uma pesquisa sobre o “marketing
político” no final do século XX
Sérgio Ricardo Rodrigues Castilho

Experiências e contradições na
etnografia de práticas empresariais
Deborah Bronz

Trabalhar e investigar enquanto antropóloga
na administração pública: breves considerações
ético-metodólogicas
Margarida da Silva

Sobre os autores