AtlantidaAtlantida. A invenção da comunidade luso-brasileira
Lucia Maria Paschoal Guimarães | Luís Andrade | Zília Osório de Castro
192 p. il.| 2013 | 15,5 x 23 cm | 1ª edição | 978-85-7740-157-4


R$45,00

O escritor carioca Paulo Barreto – o popular João do Rio – juntou-se ao poeta, político e pedagogo português João de Barros, para criar uma revista literária denominada Atlantida. Mensário artístico, literário e social para Portugal e Brazil. Retomaram o mito platônico para designar um empreedimento que se pretendia binacional. Desta feita, a metáfora do continente desaparecido e supostamente (re)encontrado servia de mote a um projeto editorial, voltado para estreitar os laços entre as duas nações irmãs. Projeto, diga-se de passagem, que envolveu intelectuais, políticos e homens de negócio das duas margens do Mar-Oceano.
O livro que o leitor tem em mãos aborda justamente o percurso cumprido por essa publicação, que circulou com regularidade entre 1915 e 1920. Seus autores procuram jogar luz sobre aspectos pouco explorados pela historiografia, enfatisando o engajamento da Atlantida em outras questões que extrapolam os domínios da literatura. Sim, porque para além de poesias, contos, peças de teatro, ou manifestações culturais e artísticas, a revista debruçou-se sobre temas contemporâneos de interesse geral, a exemplo do envolvimento de Portugal e do Brasil na Primeira Grande Guerra. Levantou, também, problemas econômicos e geopolíticos, que afetavam as relações entre os dois países e abraçou causas polêmicas, como a proposta de se estabelecer uma “Confederação Luso-Brasileira”.
Até sair de circulação, em abril de 1920, a Atlantida publicou contribuições assinadas pela nata da intelectualidade que se movimentava no eixo Lisboa – Rio de Janeiro. Testemunhos de uma época, as ideias veiculadas pelo mensário são agora revisitadas. Se por um lado, tais concepções conquistaram muito mais adeptos nos meios letrados do que no âmbito político-institucional, por outro, despertaram memoráveis polêmicas, tanto no Brasil como em Portugal. Até porque o desaparecimento do periódico não implicou no fim do projeto defendido pelos seus idealizadores. É certo que João do Rio faleceu subitamente um ano depois da extinção da revista.  Mas, João de Barros e a rede de intelectuais que se formara em torno da publicação binacional, sobreviveram-na, continuaram a disseminar suas propostas, influenciando novas gerações. Neste sentido, não há dúvida de que a noção de comunidade luso-brasileira foi inventada pela Atlantida.






SUMÁRIO


Apresentação

O percurso da Atlantida
Lucia Maria Paschoal Guimarães

Muito além de uma revista literária
Lucia Maria Paschoal Guimarães

Atlântidas(s). Mito e utopia
Zília Osório de Castro

Atlantida revisitada. A invenção da comunidade luso-brasileira
Luís Andrade


ANEXOS

I. ANTOLOGIA DE TEXTOS E IMAGENS

II. DOCUMENTOS

III . RELAÇÃO DOS COLABOR ADORES DA ATLANTIDA