AtlantidaMormaço
Lêdo Ivo
16,8 x 24,5 cm | 224 p. color. | 978-85-7740-147-5 | 2013


R$78,00

Escritas de 2005 a 2010, as 120 poesias que compõem este livro se entrelaçam ao longo poema Réquiem (Contra Capa, 2008), no qual a celebração de um amor reclamado pela morte precipita a consideração de ambos pela palavra. Motivos persistentes em Mormaço, amor e morte se consomem pelo mistério irrefreável do tempo e se deixam embalar por diversas revelações trazidas pelo vento, sobretudo o que vem do mar e se ilumina pelo farol da língua.
O poeta, sereno e irônico, avança quer ao contemplar “o corpo bem-amado”, quer ao reconhecer “o silêncio esperado”. Sabe que “Toda vida é busca/ no negror de um púbis,/ num degrau de igreja,/ na mala de um fusca”, mas não se exime de separar-se do próprio ser ante a evidência de que não há “passagem para a eternidade”. Sua matéria fugaz, porém imperecível, é a própria transformação operada pelo verbo, à espera da aurora ainda não amanhecida.
“Quando o tempo cessar de ser o tempo/ tudo será começo e nascimento.” Ainda não cessara, no momento em que o projeto desta edição se esboçou em seu sítio, em Vargem Grande, pouco depois de uma estada de três semanas do pintor Steven Alexander. Fez-se assim a série de 42 pinturas aqui reproduzidas, cujas margens ou bordas delineadas por superfícies de cor que não chegam a se regularizar trazem à luz vestígios emersos pelo olhar, aconchegando-os à vida em passagem repisada pelo poeta. Estruturadas verticalmente, tais pinturas deixam ver também sombras de um relato que tende a evolver, assim que se fixam as cores de cada uma delas, concedendo à composição formal as chaves da imaginação e prenunciando o caráter diuturno do que não cessa de passar na poesia de Lêdo Ivo: a vida em seu imensurável verdor.

Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos