AtlantidaEntre ficar e sair. Uma etnografia da construção social da categoria jovem rural
Elisa Guaraná
432 p. | 2013 | 16 x 23 cm | 1ª edição | 978-85-7740-134-5


R$60,00

Este livro é resultado de uma experiência etnográfica empreendida entre os anos de 2000 e 2003, e finalizada na tese Entre ficar e sair: uma etnografia da construção social da categoria juventude rural, defendida em 2005 no Museu Nacional e sob orientação de Moacir Palmeira. Esse foi um ponto de partida singular e que me apresentou um universo de questões. Algumas se transformaram em problemas de pesquisa, como as múltiplas e complexas construções da categoria juventude, e outras permaneceram adormecidas. De lá pra cá, posso dizer que efetivamente minha trajetória acadêmica e mesmo de vida pessoal se cruzaram definitivamente com a juventude rural. Muitas novas questões surgiram, e quando estava preparando o projeto para a publicação da tese, cheguei a pensar se deveria revisitar o trabalho etnográfico e “reatualizá-lo”. Contudo, o processo etnográfico de estar lá, escrever então e publicar agora permite perceber que a fotografia captada e o caminho percorrido devem ser preservados, pois, apesar de se reportarem a um Eldorado certamente muito diferente do que encontramos hoje, resgata uma parte da história de luta pela terra no Rio de Janeiro, e permite um olhar sobre questões presentes no debate sobre a questão agrária brasileira. Mais ainda, considero que a riqueza das relações familiares, de vizinhança, religiosas e políticas vividas por essas famílias muito contribui para pensarmos a experiência de ser jovem rural numa complexa realidade da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. Portanto, o livro é uma contribuição para aqueles que se interessam pelos “temas” por ele abordado, que, geralmente, reduzimos à “palavras-chaves”, mas é também uma contribuição ao debate do fazer etnográfico, e, por isso, revela os encontros e desencontros, tropeços e “achados”. O maior de todos eles, a generosidade das famílias, e em especial dos e das jovens, e dos muitos outros colaboradores presentes, ainda que com suas identidades preservadas.




SUMÁRIO



Prefácio

Apresentação

Siglas

Introdução

• Tempo, espaço e ação na construção da categoria jovem: uma primeira aproximação... 
• A categoria juventude como objeto de investigação


PARTE I. Memórias e construções sobre A história
da conquista da terra: o dito e o não dito, redes e classificações

• Memórias

CAPÍTULO 1. Ocupações, histórias e lembranças
• Eldorado: um assentamento da baixada fluminense 
• Mudanças e continuidades: as primeiras ocupações

CAPÍTULO 2. De casas altas A Mutirão eldorado

• A Fazenda Casas Altas: donos, grileiros, arrendatários, meeiros 
• A luta de muitas ocupações 
• Assentamento Eldorado: tensões, disputas e construção

CAPÍTULO 3. Os jovens não participaram...

• Acampamento: a luta e o lúdico
• Aqui dentro e lá fora, morar bem e morar mal: construções de identidades sociais rurais e urbanas

PARTE II. Fronteiras e fronteiras. Circulações internas e externas:
As percepções sobre a categoria jovem A partir da família

• As “queixas”

CAPÍTULO 4. A moçada não quer nada com roça...
Conflitos, relações familiares e de trabalho

• Composição das famílias 
• Relações familiares, casamentos, tensões e controle... 
• Trabalho familiar 
• Jovens: rupturas e continuidades 
• Construções da identidade rural: ser da roça, ter boi, morar bem e morar male outras identificações

CAPÍTULO 5. Heranças e heranças: transmissão patrimonial, herança de luta, ac esso à terra
• Padrões de herança e transmissão de patrimônio
• Titulação e transmissão patrimonial em Eldorado

CAPÍTULO 6. Ficar ou sair: um dilema?
As múltiplas inserções do jovem

• Escola, trabalho externo e o futuro
• Passado, presente, futuro: os desejos e a realidade

PARTE III. Os contextos coletivos da construção da categoria jovem

• As “queixas” dos jovens e suas construções coletivas

CAPÍTULO 7. Liberdade vigiada. mecanismos de controle, autoridade paterna, submissão e transgressão

• Tempo e espaço nas relações de autoridade
• Controle, aceitação, submissão, transgressão: quando eu boto uma coisa na cabeça...

CAPÍTULO 8. Contextos coletivos da construção da categoria jovem
• Ninguém ouve a gente... Autoridade paterna nos espaços de organização e
        em projetos para jovens rurais em assentamentos e acampamentos rurais

Grupo Jovem da Igreja Batista Boa Esperança. Grupo Jovens pela Paz
• A categoria jovem: discursos e práticas em contextos “coletivos”

CONCLUSÃO

REFERÊNCIAS

ANEXO I

ANEXO II

ANEXO III [ENCARTE]