Atlantida A escola na ótica dos Ava Kaiowá: impactos e interpretações indígenas
Tonico Benites
120 p. | 2012 | 16 x 23 cm | 1ª edição | 978-85-7740-125-3


R$30,00

Apoiada em cuidadosa etnografia, que muito se beneficia das extensas e íntimas experiências de seu autor, este trabalho desenvolve uma narrativa apaixonante, sem precedentes na antropologia brasileira. Muito mais do que um estudo sobre a escola indígena, este livro nos propicia uma etnografia densa e compreensiva sobre a família e a organização social dos Avá Kaiowá. Ao invés de nos propor um modelo único do que seja (ou deva ser) o Ava Kaiowá, o autor aponta uma alternativa analítica que contempla a variação, apresentando-nos ao “modo de ser múltiplo” (Ava kuera reko reta). Já no ato de partida, precisamos afastar-nos das velhas chaves analíticas sobre a situação e a observação etnográfica. È o caso do tropos das “viagens” bem como de imagens só aparentemente claras e unívocas (como “nós” e “os outros”), que se revelam mais frequentemente como verdadeiros obstáculos ao conhecimento. Que esta narrativa possa, então, instigar-nos a refletir de maneira mais crítica sobre os novos horizontes teóricos e epistemológicos que se abrem ao exercício contemporâneo da etnografia. È uma circunstância feliz que este trabalho venha a iniciar a coleção Os Primeiros Brasileiros, que já por seu título e inspiração chama atenção para a umbilical conexão entre a produção de conhecimentos sobre os povos indígenas e a reafirmação de seus direitos fundamentais. João Pacheco de Oliveira professor titular, Museu Nacional/UFRJ.



SOBRE O AUTOR:

Tonico Benites, Ava Verá Arandú, 40 anos, é indígena Ava Kaiowá, nascido na aldeia de Sassoró-Tacuru, no Mato Grosso do Sul. Durante uma década, foi professor bilíngue nas escolas da Terra Indígena Jaguapiré-Tacuru, localizada em seu estado de origem. Em 2000, terminou o ensino médio em Dourados. De 2001 a 2004, realizou sua graduação em Pedagogia na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Selecionado, em 2006, bolsista da Fundação Carlos Chagas, por meio do Programa Internacional de Bolsas para a Pós-Graduação da Fundação Ford, tornou-se mestre em antropologia, em 2009, pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) do Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição em que atualmente realiza o seu doutorado. Nos últimos anos, tem desempenhado importante papel como tradutor de processos judiciais, assistente em perícias antropológicas e assessor de políticas culturais e educacionais, bem como pesquisado e participado ativamente da Aty Guasu, grande mobilização dos Ava Kaiowá e Nandevá do Mato Grosso do Sul em defesa de seus direitos, sobretudo no reconhecimento de seus territórios tekoha guasu.