AtlantidaORATÓRIO Gonçalo Ivo
Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos [org.]
264 p. | il. color. | 2012 | 26 x 30 cm | 1ª edição | 978-85-7740-099-7

Textos em português, francês e inglês

R$155,00

Este livro, cujo tema é a produção pictórica de Gonçalo Ivo posterior ao seu Réquiem (2008), composto de 18 pinturas no formato 35 x 24 cm, nasceu de uma provocação, no sentido de trazer à voz uma fala que, entre outras coisas, guarda valor religioso e se encanta no que passa à frente da vida cotidiana. Sobre o fundo de silêncio atemporal evocado pela pintura, entendida, de maneira ampla, como a arte e a técnica de revestir, dar nova veste e, portanto, aparência ou exterioridade a determinada superfície, há nessa provocação diversas camadas de assertivas e interrogações, depositadas pela frequentação de amigos, admiradores, colecionadores, críticos e companheiros de ofício aos seus ateliês de Vargem Grande, em Teresópolis, e de Paris. A despeito de minha vocalização inicial, condensada na palavra que serve de título ao aqui publicado, apenas a imantação característica do processo de trabalho do artista e o trânsito dessas pessoas terão causado o que se organizou em torno das obras reproduzidas e dos textos escritos à luz do que elas nos fazem dizer.
Na polifonia tecida pela poética de Gonçalo Ivo e pelas quatro vozes que se voltam para ela, temas avessos ao que predomina no discurso artístico contemporâneo se desemudecem, como a intuição própria à criação, a inconsciência imaginativa ativada pelas mãos, a presença do espiritual na arte e o uso sensual de impulsos atávicos desconectados de intervenções ou instalações em instituições sociais. Esses temas, entrelaçados a uma vontade abstrata que torna impermanentes formas geométricas recorrentes, não só indicam vias de acesso à obra do artista, como também ensinam que a matéria artística inclui necessariamente o que nos mantém despertos.
Confluem neste livro dois grandes rios. De um lado, a vocação e a devoção do artista; do outro, a comoção e a movência daqueles que se interessam por sua pintura, validadas, como nos cancioneiros medievais, pelo que se recria e inova a cada encontro ou repetição. Nos últimos três anos, operou-se uma nítida mudança na produção de Gonçalo Ivo, que nos convida a rever os afluentes que a materializaram. Pode-se, por exemplo, examinar se osOratórios e Lamentos surgidos desde então anunciam o crepúsculo de algo que ainda não se cerrou ou a aurora do que ainda se conformará. De um modo ou de outro, todavia, são mais uma prova dos mistérios da cor humanizados pela paciente e ininterrupta dedicação do artista à pintura. Neles, como se verá a seguir, depõe-se um modo de pintar, cujo caráter singular e intransferível tem construído, passo a passo, a perenidade de sua contribuição à arte ocidental.

Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos




Escrito em português, francês e inglês, o livro reúne a produção pictórica de Gonçalo Ivo posterior ao seu Réquiem (2008), composto de 18 pinturas no formato 35 x 24 cm. Aproximadamente 170 óleos, têmperas e aquarelas, subdivididos em OratóriosAcordes, Fugas e Lamentos, são abordados por quatro textos críticos, cuja ênfase recai sobre temas avessos ao que predomina no discurso artístico contemporâneo: a intuição própria à criação, a inconsciên-cia imaginativa ativada pelas mãos, a presença do espiritual na arte e o uso sensual de impulsos atávicos desconectados de intervenções ou instalações em instituições sociais.