Cultura e SentimentosCultura e Sentimentos
ensaios em antropologia das emoções
Maria Claudia Coelho, Claudia Barcellos [org.]
220 p. | 2011 | 16 x 23 cm | 1ª edição | 978-85-7740-091-1


R$40,00


Aos olhos ocidentais, as emoções são comumente consideradas fatos naturais e individuais. Presentes em todos os seres humanos, elas conjugariam uma recorrência, a um só tempo, universal, porque pertencentes à “natureza” de homens e mulheres, e singular, visto que associadas de maneira incontornável à experiência psíquica de cada ser humano. As ciências sociais, todavia, não se mantiveram presas a esse entendimento das coisas do coração. Em face dos obstáculos à constituição de um campo antropológico, sociológico ou mesmo cultural voltado para o exame dos sentimentos, manifestou-se muitas vezes a ambivalência entre descartar ou incorporar a dimensão emocional na análise das formas de organização social.
Nos anos 1980, a preocupação com a delimitação formal do estudo antropológico das emoções se traduziu, nos Estados Unidos, pelo esforço de organizar um campo específico de atuação, com base em mapeamentos que deixassem de tomá-las como fenômenos incoerentes, enfatizando-se a capacidade própria a elas de dialogar com a vida coletiva.
Desalojados da exclusividade do âmbito privado, os sentimentos se mostrariam engendrados no lugar ocupado pelos sujeitos na sociedade, o que tem contribuído para dramatizar e alterar as posições assumidas por estes. Os nove estudos aqui reunidos, ricamente contextualizados pelas organizadoras em sua introdução ao livro, analisam as emoções em articulação com diversos aspectos da vida em sociedade: política, educação, religião, artes, relações de gênero, esporte e mídia. Um a um, ultrapassam a visão corriqueira de que os sentimentos se restringem ao que acontece entre quatro paredes. Nos resultados obtidos por esses estudos, vê-se, em vez disso, que as emoções são recursos importantes seja de contestações públicas ou reivindicações de justiça social, seja de novas formas terapêuticas ou propostas pedagógicas. Seus autores, assim, dão valiosa contribuição para a investigação das variadas formas de construção da subjetividade ocidental, sobretudo nas últimas décadas.