Antropologia e identificaçãoAntropologia e identificação.
Os antropólogos e a definição de terras indígenas no Brasil, 1977-2002

Antonio Carlos de Souza Lima | Henyo Trindade Barretto Filho [org.]
448 p. | 14 x 21 cm | 1ª edição | 2014 | 978-85-7740-008-5


R$52,00

Antropologia e identificação: os antropólogos e a identificação de terras indígenas no Brasil, 1977-2002reúne contribuições que procuram ampliar a compreensão sociológica da prática jurídico-administrativa da identificação das terras indígenas no Brasil, que tem se revelado cada vez mais uma megaoperação de codificação governamental de demandas territoriais e culturais de povos indígenas, veiculando efeitos de Estado de enorme importância. Os autores procuram pesar o que mudou e o que permaneceu em relação ao cenário dos anos 1980 até o início dos anos 1990 (o imediato pós-Constituinte) não só em termos dos elementos mais evidentes relativos às práticas administrativas chamadas de estudos de identificação , como também em relação à configuração política em que se enquadram. Os estudos aqui reunidos buscam, ainda, pensar sobre as mudanças e as permanências na própria disciplina antropologia e na formação do antropólogo, considerando a sua definição progressiva como profissional e técnico pelas instâncias administrativas que demandam a sua expertise , bem como o papel multifuncional que cada vez mais é chamado a desempenhar como perito em processos jurídicos-administrativos, como gestor de conflitos de significação entre partes variadas e como executor de ações de intervenção social.
Destacam também o quanto a formação acadêmica universitária atual continua a dar pouca ênfase a aspectos da disciplina que contribuíram sobremaneira para uma menor plerplexidade do recém-formado nesse exercício profissional de caráter “prático”, embora não menos reflexivo que o “acadêmico”, já que hoje este fazer segue muitas vezes as veredas que se abrem (ainda que não se as declarem ou as pensem analiticamente) ao exercício real da pesquisa etnográfica em contextos como os abordados neste livro. Os textos aqui contidos permitem, pois, alguns relances quanto ao fazer antropológico no Brasil dos anos 1990, de certo a serem analiticamente perseguidos em outras publicações similares, consolidando um material imprescindível à formação de novos praticantes.
A identificação é a etapa administrativa inicial das intervenções governamentais que definem porções do território brasileiro como terras indígenas, sendo tais procedimentos administrativos aspectos do processo de territorialização contemporâneo dos povos indígenas em nosso país. Os antropólogos têm importância fundamental nessa etapa, assim como em outras práticas administrativas que estabelecem direitos culturalmente diferenciados. Conhecê-la nos diz muito das crenças, dos valores e das representações entretecidos em práticas e dispositivos vigentes em toda ação fundiária governamental. Permite também entender como é concebida, pelos gestores governamentais, a participação da antropologia e dos antropólogos (inclusive por eles mesmos) nessas ações de governo, bem como lança pistas importantes sobre como esses profissionais se auto-representam em face dos trabalhos que demandam sua expertise.





SUMÁRIO




Uma apresentação
Antonio Carlos de Souza Lima
Henyo Trindade Barretto Filho


A identificação como categoria histórica
Antonio Carlos de Souza Lima

Os relatórios antropológicos de identificação de
terras indígenas da Fundação Nacional do Índio:
notas para o estudo da relação entre antropologia e
indigenismo no Brasil, 1968-1985
Antonio Carlos de Souza Lima

Disciplinando a diversidade cultural:
uma perspectiva antropológica sobre a Portaria 14
Henyo Trindade Barretto Filho

A identificação de terras indígenas e os relatórios de
identificação e delimitação da FUNAI: reflexões sobre
a prática da antropologia no Brasil (1988-2003)
Rodrigo Padua Rodrigues Chaves

Áreas Etnográficas: proposta de reestruturação
do Departamento de Identificação e Delimitação da
FUNAI com base na atuação em áreas etnográficas
Marco Paulo Fróes Schettino

A construção de instrumentos de pesquisa
para a documentação do SPI e a busca de
novas formas de acesso e diálogo
Carlos Alberto Montes Perez
Maria Elizabeth Brêa Monteiro
Sheila Maria Guimarães de Sá
Sonia Maria Otero Coqueiro

Recursos comuns indígenas ou conservação
global na Amazônia? O Monte Roraima entre
Parque Nacional e Terra Indígena Raposa-Serra do Sol
Vincenzo Lauriola

Campo Minado: considerações sobre o poder e
a antropologia na identificação e delimitação de terras indígenas
Cristhian Teófilo da Silva

Identidade, território e interesses entre
os índios Jen ipapo-Kanindé do Ceará
Carlos Kleber Saraiva de Sousa

A identificação da TI Potiguara de Monte-Mor e as
conseqüências (im)previstas do Decreto 1775/96
Sidnei Peres

Retomada ou invasão:
percepção das instituições governamentais sobre
a ocupação do Monte Pascoal pelos índios Pataxó
Rodrigo Paranhos Faleiro

Entre a paixão e a técnica: reflexões
sobre o processo de identificação e
demarcação das terras dos Karajá de Aruanã (GO)
Manuel Ferreira Lima Filho

Estação Parecis: um território expropriado
Maria Fátima Roberto Machado

Referências bibliográficas

Sobre os autores