Clínica lacaniana da psicoseClínica lacaniana da psicose
Angelina Harari
92 p. | 2006 | 14 x 21 cm | 1ª edição | 978-85-7740-003-4


R$35,00


Embora a psicanálise e a psiquiatria estejam hoje em posições bastante distantes no que diz respeito à clínica, há em suas histórias pontos em comum que podem ajudar a entender qual é de fato o tratamento possível da psicose. Ambas não só decorrem da singularidade posta em jogo na clínica médica, ou seja, da passagem daquele que sofre para o primeiro plano de atenção das que se dispõem a tratá-lo, como também procedem a uma investigação psicopatológica guiada por um método de observação.

No início do século XX, contudo, a clínica psiquiátrica era essencialmente uma clínica do olhar, e o surgimento da psicanálise demarcou, com muita clareza, a ênfase em uma clínica da escuta, Ao cotejar as apresentações clínicas de doentes da Jacques Lacan [1901-1981] com as de seu mestre Gaëtan Gatian de Clérambault [1872-1934], apreendemos como a entrevista substitui o interrogatório, como o unaudito surge no lugar da compreensão e como, enfim, os descaminhos da palavra do sujeito se sobrepõem às tintas do quadro nosográfico.

Este precioso livro de Angelina Harari condensa, de forma serena, o norte dessa transformação ocorrida na clínica da psicose, ou melhor, mostra como Lacan, ainda preso à fenomenologia, ruma das realações de compreensão presentes em sua tese de doutoramento de 1932 em direção às relações simbólicas, nas quais, valendo-se dos ensinamentos de Ferdinand de Saussure, encontra os meios para reformular a distinção entre significante e significado, e daí se dirige para o que se conhece como sua segunda clínica, fundada na inexistência do Outro, no caráter não deficitário da psicose, na articulação do sinthome e na introdução do escrito na fala do sujeito.

Realizado tal percurso, o leitor tem, então, a possibilidade de desfrutar a tradução de três textos de Clérambault, dos quais dois discorrem sobre o conceito de automatismo mental, cujo surgimento possibilitou uma extraordinária simplificação da clínica da psicose, e o terceiro, publicado postumamente em 1935, testemunha suas lembranças das cataratas que lhe tomaram a visão

Angelina Harari
Psicanalista.
AME da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise.
Doutoranda em Psicologia pela Universidade de São Paulo.



SUMÁRIO

Introdução

O automatismo mental como operador

A ruptura com a psiquiatria

Entrevista psiquiátrica versus apresentação de pacientes

Conclusão

Referências bibliográficas

Textos de Gaëtan Gatian de Clérambault

Automatismo mental e cisão do eu

Definição de automatismo mental

Lembranças de um médico operado de catarata